24/03/2010

Sunrise


Era um sábado e era primavera. Saí do aconchego das cobertas e abri a janela. O sol começava a emergir das profundezas escuras e seu tom alaranjado intenso me deixaram com falta de ar. Gostei daquela sensação.

Vesti um casaco e saí pela porta da cozinha. O cheiro de café inundou minhas narinas, mas minha vontade de sentir aquele calor era mais forte. Andei pela vereda fina que levava ao cume do morro olhando fixamente aquela luz que parecia infinita.

Parei, respirei o ar penetrante e me acomodei na relva úmida. O sol com toda a sua intensidade parecia querer lavar minha alma. Queria me contar os segredos do universo e eu queria entender.

Naquele momento lembrei-me de Deus e do quanto Ele era grande. Meu coração doeu. Sentia saudades daqueles pensamentos. Lembrei dos meus tempos de inocência e do quanto a história do dilúvio me assustava. Acho que por isso não gosto de chuva.


Naquele momento, fiquei triste. A solidão que morava em mim era escura, fazia ninhos de melancolia e me davam ânsia de ser diferente. Mas, enquanto pensava no vazio que enriquecia minha alma, um raio de sol pousou na minha mão como uma carícia. Então eu pude perceber que Ele nunca me deixou sozinha. E que enquanto houver um nascer do sol, e enquanto eu tiver vida pra senti-lo, Deus estará comigo!


§

Um comentário:

Dinha disse...

L-I-N-D-O migah, amei o texto como sempre uma sensibilidade única.Abraço, saudads. Amuh!