22/04/2010

Um dia


Um dia me reservei ao direito de viver. Respirei cada segundo do meu dia como se fosse o último, senti a minha alma se aquiescer com o toque do meu próprio amor e desejei ser amada por uma alma adormecida.

Um dia meu coração acordou indiferente, não queria sentir o sol e, ainda assim, se preocupou com as nuvens alaranjadas que se debandavam rumo ao horizonte. Preocupei-me em saber se elas conseguiriam chegar onde queriam.

Um dia minha mente estava vazia. Me senti rica naquele momento precioso... perder o vazio é mesmo empobrecer. Estava cheia de vontades e ânsias. Só não sabia do quê. O vazio não me permitiu decidir.

Um dia estava decidida a mudar. A ser eu mesma. Mas lembrei que não sou. Apenas faço sentido. E sorri, pela milésima vez, já que não me restava nada a fazer para mudar meu rélis destino.

Um dia eu precisei dançar. Meu peito apertava no compasso de Last Nigth. Meus pés se moviam devagar dentro do sapato alto. Minha cintura iniciava um vaivém de emoções. Tudo no ritmo envolvente da felicidade.

Um dia eu só queria ser feliz. Um dia... quem sabe!!!
.

§

29/03/2010

Ontem

Ontem ele me ofereceu a mão e junto com ela um cuidado que eu não esperava. Eu chegara fadigada do longo dia que tivera e pela noite pouco dormida na qual ele também estivera envolvido. Com razão, ele tinha uma pequena culpa das minhas olheiras. Ainda assim eu não esperava.
Abraçou-me carinhosamente e me pôs junto ao seu peito, sem se importar com os outros que estavam ao nosso redor. Deixei-me levar pelo embalo de seus braços e senti seu perfume. Parecia que eu estava em casa. Era tão aconchegante que não tive vontade de sair de lá. Ele talvez tenha entendido que eu não estava realmente bem, apesar de que se ele conseguisse sentir os meus próprios sentimentos saberia que eu estava mais acalentada do que nunca.
Afastou o meu corpo do dele e olhou nos meus olhos. Resisti ao movimento e voltei a encostar nele. Sua voz quente começou a soar dentro de meus devaneios. Ele me perguntava como tinha sido o meu dia no trabalho, se eu havia passado raiva, muita, eu respondi, como foi minha aula.
Eu tinha inveja do nosso futuro...

(Texto iniciado em 26/02/10.. não concluído até hoje)


§

24/03/2010

Sunrise


Era um sábado e era primavera. Saí do aconchego das cobertas e abri a janela. O sol começava a emergir das profundezas escuras e seu tom alaranjado intenso me deixaram com falta de ar. Gostei daquela sensação.

Vesti um casaco e saí pela porta da cozinha. O cheiro de café inundou minhas narinas, mas minha vontade de sentir aquele calor era mais forte. Andei pela vereda fina que levava ao cume do morro olhando fixamente aquela luz que parecia infinita.

Parei, respirei o ar penetrante e me acomodei na relva úmida. O sol com toda a sua intensidade parecia querer lavar minha alma. Queria me contar os segredos do universo e eu queria entender.

Naquele momento lembrei-me de Deus e do quanto Ele era grande. Meu coração doeu. Sentia saudades daqueles pensamentos. Lembrei dos meus tempos de inocência e do quanto a história do dilúvio me assustava. Acho que por isso não gosto de chuva.


Naquele momento, fiquei triste. A solidão que morava em mim era escura, fazia ninhos de melancolia e me davam ânsia de ser diferente. Mas, enquanto pensava no vazio que enriquecia minha alma, um raio de sol pousou na minha mão como uma carícia. Então eu pude perceber que Ele nunca me deixou sozinha. E que enquanto houver um nascer do sol, e enquanto eu tiver vida pra senti-lo, Deus estará comigo!


§

25/02/2010

Esperando...

E a vida não é simples como ela acreditava. Um dia até chegou acreditar que seria pra sempre. Mas como dizem os legiões do passado, o pra sempre, sempre acaba. E foi o que aconteceu.


Entre idas e vindas, espinhos e tulipas, risos e coca-cola, acabou. Quase acabou com a alegria. Quase acabou com a inocência. E acabou com a ilusão. Solidão é o fim de quem ama, diz o poetinha. E Ana gritava em melodias que (quem sabe) um dia isso passe, sendo ela tão inconstante. Quem sabe o amor tenha chegado ao final.


Mas a vida continuava ao seu redor. E as pessoas continuavam sorrindo. E ela aguardava no portão olhando as estrelas no céu, que também sorriam. Ela não queria deixar a porta aberta e não queria olhar para trás, mas era inevitável não pensar na felicidade que tinha perdido. Então esperava.


A noite pesava em seu peito. Já eram dez e tal e nada. Os carros que passavam na rua lhe traziam um acender de esperança e o ronco do motor trazia a sensação de alívio. Mas nada. Ele mais uma vez não viria.



§

23/12/2009

Paixões

Hoje, finalmente, tive vontade de escrever. Não que eu não tivesse assunto, ou palavras, muito menos que o vazio tivesse tomado conta de mim, mas eu quis guardar comigo todas as ilusões e paixões que acumulei neste último mês. De todas as pessoas que amo, apenas cinco delas sabem como eu tenho passado... Mas hoje, tive vontade de mostrar para o mundo (se o mundo visse o meu blog) que eu continuo viva.
Você sempre está apaixonada. Quando pára de amar um, com certeza é porque está amando outro!” Disseram-me isto há uma semana e de repente meus olhos se abriram pra uma qualidade?! minha, sou uma apaixonada constante.
Paixão é a essência da minha vida. E cada uma é mais intensa que a outra. Nenhuma pior que a outra, apenas diferentes formas de paixão. E apenas uma forma de sentir. Borboletas tão loucas.
Enquanto escrevo sobre as minhas paixões, começo a pensar naquela que vem me envolvendo nos últimos dias. Ela é diferente, é realizável. É o achado das minhas buscas constantes. O amor que toma conta do meu ser é incrivelmente divertido e parece que a vida começa a ter mais graça com ele por perto, e os meus dias passam despercebidos e as noites em que não o vejo são lentidões escuras e vazias.
Tenho outra vez quinze anos, e não me envergonho de ter vinte. Sou apenas uma adolescente encantada pelo sorriso mais lindo do mundo e pelas piadas mais sem noção, e pela risada mais reflexiva que existe... sempre dá vontade de refletir sobre a verdadeira felicidade. Se ela existe... ele guarda um pedaço naquele sorriso.
§

23/10/2009

Fases de cadeias

Presa em cadeias de vidro. Redoma de vidro brilhante e frágil. Doce espera de um amor. E ela logo se quebrou. Foi despedaçada com os pedaços do meu coração. Catei e tentei reconstruir. Mas minha redoma se tornou informe e absurdamente vazia.
.
Presa em cadeias de diamante. Transparentes e inquebráveis, porém perfeitas. Acordo desesperada e já não sei respirar. Um pesadelo assombra minhas noites inocentes e a lua, imperdoável dama de prata, me sufoca com seu brilho. Sufoco, não consigo sair. Quero partir essas cadeias e quero partir pra longe. Quero poder ficar.
.

Presa em uma cadeia vazia. Vazia de nada. Cheia de multidões. Sobressaltadas noites em desalento tentando achar um local seguro. Um local menos vazio, um local menos cheio. Minha mãe.
.
Presa em cadeias de ferro, duras, incapazes de manejar. Sólido insípido. Doce como o ferrugem de suas marcas que se desgastaram em lágrimas.
.
Presa em muralhas de solidão, me despeço do sol que ainda não foi embora. E o frio invade os meus calafrios e grito de horror. Por dentro, calada. Ouço seus passos no corredor úmido e espero. espero. e nada.

§

08/10/2009

Despedida

Seus dedos estavam cruzados numa espécie de carma. Um hábito que lhe era comum sempre que ficava ansioso. Entrava em transe, e apertava a fronte contra o joelho como se isso aplacasse a dor que teimava em existir.

- Oi... – falei e já não sabia o que dizer.

Sua cabeça permaneceu abaixada, mas pude perceber que seus olhos se fechavam com mais força, pois suas têmporas enrijeceram. Suspirei. Sua cabeça continuou abaixada, mas agora suas têmporas estavam relaxando e ele olhava os meus tênis fixamente. Um alvo vazio.

- Oi. E também suspirou.

Agachei ao seu lado e me deixei levar pelo perfume que lhe era tão comum. Cheirava ao meu próprio prazer. Sorri com este pensamento e isto fez com que seus olhos se levantassem. Por um minuto apenas nos olhamos e o meu riso foi morrendo aos poucos, dando lugar a tristeza inevitável. Íamos nos separar em menos de uma hora. E nada poderíamos fazer contra.
Ele segurou forte na minha mão e nos levantamos. Nossos corações queriam se sentir. Em um ritmo doce e louco, um abraço foi o que restou, e ficamos ali apenas ouvindo. Queria poder dizer que ele se tornara a razão da minha alegria. Que de manhã era dele o meu primeiro pensamento e, ao cair à noite tudo o que eu queria era poder dormir para sonhar com ele. Mas continuei calada, enquanto o meu coração gritava.

- Adeus!

- Adeus... – ...


§