23/12/2009

Paixões

Hoje, finalmente, tive vontade de escrever. Não que eu não tivesse assunto, ou palavras, muito menos que o vazio tivesse tomado conta de mim, mas eu quis guardar comigo todas as ilusões e paixões que acumulei neste último mês. De todas as pessoas que amo, apenas cinco delas sabem como eu tenho passado... Mas hoje, tive vontade de mostrar para o mundo (se o mundo visse o meu blog) que eu continuo viva.
“Você sempre está apaixonada. Quando pára de amar um, com certeza é porque está amando outro!” Disseram-me isto há uma semana e de repente meus olhos se abriram pra uma qualidade?! minha, sou uma apaixonada constante.
Paixão é a essência da minha vida. E cada uma é mais intensa que a outra. Nenhuma pior que a outra, apenas diferentes formas de paixão. E apenas uma forma de sentir. Borboletas tão loucas.
Enquanto escrevo sobre as minhas paixões, começo a pensar naquela que vem me envolvendo nos últimos dias. Ela é diferente, é realizável. É o achado das minhas buscas constantes. O amor que toma conta do meu ser é incrivelmente divertido e parece que a vida começa a ter mais graça com ele por perto, e os meus dias passam despercebidos e as noites em que não o vejo são lentidões escuras e vazias.
Tenho outra vez quinze anos, e não me envergonho de ter vinte. Sou apenas uma adolescente encantada pelo sorriso mais lindo do mundo e pelas piadas mais sem noção, e pela risada mais reflexiva que existe... sempre dá vontade de refletir sobre a verdadeira felicidade. Se ela existe... ele guarda um pedaço naquele sorriso.
§

23/10/2009

Fases de cadeias

Presa em cadeias de vidro. Redoma de vidro brilhante e frágil. Doce espera de um amor. E ela logo se quebrou. Foi despedaçada com os pedaços do meu coração. Catei e tentei reconstruir. Mas minha redoma se tornou informe e absurdamente vazia.
.
Presa em cadeias de diamante. Transparentes e inquebráveis, porém perfeitas. Acordo desesperada e já não sei respirar. Um pesadelo assombra minhas noites inocentes e a lua, imperdoável dama de prata, me sufoca com seu brilho. Sufoco, não consigo sair. Quero partir essas cadeias e quero partir pra longe. Quero poder ficar.
.

Presa em uma cadeia vazia. Vazia de nada. Cheia de multidões. Sobressaltadas noites em desalento tentando achar um local seguro. Um local menos vazio, um local menos cheio. Minha mãe.
.
Presa em cadeias de ferro, duras, incapazes de manejar. Sólido insípido. Doce como o ferrugem de suas marcas que se desgastaram em lágrimas.
.
Presa em muralhas de solidão, me despeço do sol que ainda não foi embora. E o frio invade os meus calafrios e grito de horror. Por dentro, calada. Ouço seus passos no corredor úmido e espero. espero. e nada.

§

08/10/2009

Despedida

Seus dedos estavam cruzados numa espécie de carma. Um hábito que lhe era comum sempre que ficava ansioso. Entrava em transe, e apertava a fronte contra o joelho como se isso aplacasse a dor que teimava em existir.

- Oi... – falei e já não sabia o que dizer.

Sua cabeça permaneceu abaixada, mas pude perceber que seus olhos se fechavam com mais força, pois suas têmporas enrijeceram. Suspirei. Sua cabeça continuou abaixada, mas agora suas têmporas estavam relaxando e ele olhava os meus tênis fixamente. Um alvo vazio.

- Oi. E também suspirou.

Agachei ao seu lado e me deixei levar pelo perfume que lhe era tão comum. Cheirava ao meu próprio prazer. Sorri com este pensamento e isto fez com que seus olhos se levantassem. Por um minuto apenas nos olhamos e o meu riso foi morrendo aos poucos, dando lugar a tristeza inevitável. Íamos nos separar em menos de uma hora. E nada poderíamos fazer contra.
Ele segurou forte na minha mão e nos levantamos. Nossos corações queriam se sentir. Em um ritmo doce e louco, um abraço foi o que restou, e ficamos ali apenas ouvindo. Queria poder dizer que ele se tornara a razão da minha alegria. Que de manhã era dele o meu primeiro pensamento e, ao cair à noite tudo o que eu queria era poder dormir para sonhar com ele. Mas continuei calada, enquanto o meu coração gritava.

- Adeus!

- Adeus... – ...


§

10/09/2009

Elas

Grita Mayumi em meu peito mudo e desnudo. Vontade de voltar a ser. A ser. A ver. A ter. Sentir. Passando de segunda a terceira, como vós e nós. Nós que já não se desfazem com o tempo. Tempo, Aluap. E choro.


Eu já fui Aluap, e também já fui Mayumi. Ao mesmo tempo. Quando em meus tempos de infância, era permitido ser quem você queria ser. E o que eu queria ser era a rainha do meu quintal.

Desde sempre – acho – subia em árvores e me sentia parte daquilo. Eu era a natureza viva. Mas não a única viva. Mas a que tinha o poder da fala. As árvores e os animais, os anjos e essas duas mulheres que viviam em mim, ou que eram mim, falavam através dos meus pensamentos e eram traduzidos pela minha boca.

E é delas que sinto mais falta. Depois de tanto tempo, recordo. Mas penso que já é tarde.

Mayumi era uma imperiosa índia que adorava correr ao vento. Disputava recordes com os furacões, apesar de nunca se importar em saber quem vencia. Tinha um jeito gracioso de “falar”. E me contava coisas de terras distantes. De mares azuis e cachoeiras impetuosas. Mayumi era uma expressão de liberdade.

Aluap era dominadora, mas gentil. Uma mistura de raças, de cores, de lua. De sol e chuva. Uma amiga que me conhecia. A que mais conheceu. Era também uma sábia conselheira e me guiava pelo coração. Que me emprestava o colo quando eu estava triste e cantava canções de ninar para embalar minha solidão.

Aluap era um pedaço do que eu não tinha. Uma mãe. Era o amor em posse de um espírito sem vida. De um espírito errante que se apossara da minha existência. Era uma rainha. E seu trono era um trançado de galhos da antiga goiabeira. No mais alto galho. E era lá que eu ficava. Aluap reinava. Mayumi acalmava. E o tempo parava. O tempo, Aluap. O tempo Aluap. O tempo...



§

01/08/2009

Considerações

Há tempos que eu não escrevo nada aqui, mas há algo que eu queria gritar pro mundo. Bom, este é o meu mundo. Então quero usar cada pedacinho deste blog pra dizer:
Não estou mais apaixonada por ele.

E ainda que eu queira dizer que esse meu grito vem acompanhado de um sorriso, não posso. Talvez uma expressão satisfeita. Mas não feliz.
Estar apaixonada é um estilo de vida pra mim. Me completa. Mas me machuca. E por tantas vezes (como boa evangélica que sou) tento assimilar o que diz na bíblia quanto ao amor “o amor não é sofredor”, continuo vivendo amores sofridos. E isto, definitivamente, não é bom.

Por isso digo que se não estou tão feliz por esta afirmação, também não consigo ficar triste. É uma questão de lógica. Menos um amor é igual a menos um sofrimento.
Mas o que dizer da solidão que agora adentra no meu coração e que faz a música não ter sentido. Sim. Me apaixono, também, pra ouvir música. É como se assim, eu sentisse verdadeiramente o que o piano me diz. Ele e eu temos afinidades. Coisas de outra vida.

Concluindo... Sem este amor, a minha vida perdeu um pouco do sentido. Um pedaço do meu coração sente sua falta. E continuo dizendo que dói saber que agora o vazio me acompanha pelas ruas, que os fones de ouvido apenas trarão frases sem vida e que o meu coração não irá palpitar quando eu ouvir a nossa música. Love de Keyshia Cole.

Por outro lado, um novo amor supre um amor perdido. Digo sempre. E cansei de amores platônicos. (In)felizmente, já não tenho mais quinze anos.
.

§

18/07/2009

Sonho de uma noite de verão

Fazia calor. Pela décima vez, perdi a noção de tempo olhando para ele. Que continuava me ignorando. Passei na sua frente, toquei o seu braço e sorri. E ele apenas balançou a cabeça, passivamente, e tornou a virar o copo. Olhou para o outro lado, e eu passei a não mais existir.
Sai chateada. Ele estava chateado. Apesar de não ser dia para chateação.
Há alguns dias atrás... Simplesmente o vi. Já o conhecia, mas passei a conhecer além daquele garotinho que passava em frente a minha casa de bicicleta. Era mais que apenas o menino que havia crescido. Era um mistério.
Bastou apenas um sorriso para ter a certeza que era ele. Verão. Fogo. Calor. Desejo. Paixão. Palavras fortes que não conseguem decifrar a intensidade do que nos aconteceu. Abraço. Loucura. Beijo. Desespero. Distância. Tristeza. E ainda faltava algo. Que antecipo dizendo que ainda não encontrei. Porque era algo além de paixão e menos que um mero amor.
Passávamos o tempo que podíamos juntos. Gostava de vê-lo sério, pensativo, cada vez que falava do nosso futuro. Gostava de vê-lo agonizante quando pensava na distância. Gostava de vê-lo me olhar. E sorrindo a me ver sorrir. E me abraçando forte, por nenhum motivo. Ou por todos eles. E era recíproco.
Havia um algo entre nós que era indefinível e que ele chamava de imã. E eu apenas ria por mais aquela infantilidade. Ele era tão infantil quanto encantador. E me deixava encantar por aquele riso fácil e o olhar penetrante, que me diziam coisas que eu nem sei explicar. Mas que me fazia bem em ouvir.
No calor daquela cidade, nos apaixonamos. E foi no calor que nos desentendemos. Agora, olho pro céu e respiro. Olho pra água e suspiro. Cumprimento um velho conhecido que ri e dou uma risada. E me calo para escutar o meu próprio lamento ecoando na areia.
Caminho em meio às barracas e vi que ele estava vindo ao meu encontro. O coração acelera. Seus olhos me fitam com desejo. Ofegante, toca no meu ombro. Segura a minha mão. Toca os lábios nos meus e digo que não é dia para brigar. Não no último dia. Ele concorda, mas diz que continua chateado. Também estou chateada. E o tempo que nos resta é desperdiçado com brigas sem sentido.
No final, um aperto de mão, um beijo no rosto e um adeus encerram o nosso espetáculo.


Bem Shakespeariano.
.
§

20/06/2009

Passado distante


Ás vezes construimos um sentimento que nem se pode nomear, mas se pode sentir de tal maneira que no fim vira um decifra-me ou te devoro! que consome todas as nossas ilusões e sorrisos.
Sempre me senti uma espécie rara nesse mundo tão padrão, porque nunca caí nas garras das atrações e paixões fulminantes. Nunca, em momento algum, me dei ao luxo de acreditar nas palavras de um homem, se elas eram dirigidas a minha pessoa, e muito menos me deixei levar por cantadas baratas ou mesmo as românticas.
O motivo da minha frustração?.. Amei aos cartoze anos, foi o primeiro, o puro (beijei ele umas pocas vezes) e o não correspondido...
Depois disso, deixei de me apaixonar, e passei a controlar o meu coração (outra coisa especial em mim), trancando indeterminadamente pra balanço.. foram três anos de dor, desilusão e amparo nas farras do mundo.. beijando apenas quem eu queria beijar, e curtindo só pra curtir!
Mas isso faz parte de um passado muito distante...
.
" Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado"
.
Amei outra vez aos dezessete.. pra quê?!
No ínicio foi só uma brincadeira, coisa de menina querendo passar o tempo..
Mas foi ficando mais forte a medida que eu sentia falta dele, de não vê-lo sorrindo pra mim, e mais ainda de não ter a atenção que eu almejava muito... Mas, o maior problema, foi que ele acabou se encantando por mim (porquê homens são tão bobos??) e acho que a afeição que eu sentia acabou se misturando com a vontade de fazê-lo feliz...
.
PAUSA
.
Segundo o dicionário, "Amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem do outro".
.
CONTINUA
.
Pronto.. comecei a amar ele
Só que pra amar você deve sofrer... Acabou não dando certo... Acabou antes de começar.
Este amor foi o segundo, o puro (nunca nos tocamos) e repleto de contradições...
Mas esse é um passado distante!
Hoje...
§