21/10/2012

Quem é você


Eu não sabia quem era você, mas nos meus sonhos você existia, e eu sabia que a qualquer momento eu te encontraria. Vivia dias infindáveis, perambulando à própria sorte, na espera deste grandioso dia. Ah, mas como saber como você era se não o conhecia?! Meu velho e companheiro coração iria te reconhecer, ele bateria num ritmo diferente e desejaria intensamente não largá-lo por um minuto sequer.
Ansiando pela sua presença, mas conformada com os espinhos do caminho, continuei caminhando rumo ao destino. Me aconcheguei em vários abraços, mergulhei em sorrisos alargados e exalei perfumes de mistérios, mas meu coração ainda estava quieto, refreado e me dizia que ainda não. Ainda não era você.
Um belo dia, eu resolvi arriscar. Estava cheia de ilusões falsas, amores desinteressados e desilusões verdadeiras. Respondi ao meu companheiro que seria aquele. Ele resignado calou-se. Comecei a encantar, a seduzir e buscar avidamente por sua atenção. Simples como um respirar, você se envolveu e começamos um relacionamento coberto de dúvidas, quereres e ilusões novas.
Deixei-me levar pelo novo e duvidoso sentimento. Meu coração me ignorava, resmungando baixo pelos cantos, dizia que não ia dar certo. Eu não faria certo, como tantas e tantas vezes acontecia. Estava receoso de ser quebrado outra vez porque trazia marcas profundas de outras vidas passadas. Aquela mesma vida torpe de uma garota insana de vinte e alguns anos.
Parei para ouvi-lo algumas vezes, concordei e discordei dele milhões de vezes. Tentei convence-lo de todas as maneiras a aceitar um novo amor. Jurei que não deixaria ninguém magoá-lo mais. Lutei com todas as forças, mostrei todas as juras de amor que recebia de você, as promessas de tentar fazer-nos feliz, de estar ao meu lado para sempre, promessas de não me deixar mais sucumbir no desespero, ele estaria conosco, eu dizia. E um dia, esperançoso ele cedeu.
Meu coração se deixou apoderar daquele novo sentimento. Gostoso, dedicado, afetuoso, fazia bem para nós. Até as brigas e contratempos nos faziam bem, nos fazia sentir vivos, lutando pela felicidade tão esperada. Quando você nos magoava, meu coração vinha em sua defesa e pedia paciência para o novo. E me alegava mais amor, mais carinhos e abraços apertados para ti. Estávamos a um passo de encontrar aquele por quem tanto procuramos.
...
Lágrimas... Chorava por dentro e por fora. Não havia mais chão, nem paredes, só o escuro da minha culpa e solidão. Quebraste meu coração e ele atordoado, sentia fortes dores e se contorcia em algum lugar no meu peito, eu o sentia gemer e vibrar a cada lembrança, boa ou ruim. Eu queria poder tirá-lo de dentro de mim e entregá-lo a alguém que fosse melhor que eu. Ou ir embora para sempre e deixar de ter a responsabilidade de cuidar de algo tão precioso. Meu pobre e precioso coração que sempre esteve comigo, agüentando todas as minhas esperanças de um dia ser amada, era quem sempre sofria as consequencias.
Nas próximas noites que viriam eu cuidaria dele, prometeria pela milésima vez nunca mais me deixar levar pelos sentimentos alheios, juraria pela minha própria vida que ele não se magoaria mais... Mas naquele momento, eu só conseguia lhe sussurrar uma coisa: me perdoa!

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28/09/2012

Um sábado qualquer


Levantou com um sorriso débil no rosto, saboreando o dia movimentado de emoções que teria. Hoje ela tinha um motivo para levantar, para se vestir e sair rumo afora. Vestira-se com uma roupa diferente do normal, nada daquele uniforme mesmo, a mesmice do preto a incomodava e ela não estava disposta a sofrer incômodos, hoje não.
Chegou ao seu destino de sempre, no horário que deveria ser e sorriu novamente sem saber por quê. Até que o viu. Ficou contente por ele estar lá e do jeito que imaginava, lindo, lindo, lindo...
O desejo corroia a sua alma. Queria ir até ele, dizer como estava feliz em vê-lo ali, mas contentou-se em passar por sua frente e ignora-lo. De costas sabia que era observada e sabia muito mais que era desejada. Ele adorava o seu bumbum redondo e seu gingado adolescente.
Foi aos seus afazeres e por um minuto ou mais esqueceu do sentido daquilo tudo. Até que o monitor lhe avisou que ele estava por perto, era inconsciente. Saiu e viu um fervilhão de pessoas lá fora. Tudo se movimentava no compasso do seu corpo que fervilhava na intensidade do desejo.
Resolveu ir se refrescar, e como no conto da ovelha, o lobo estava à espreita, esperando ela se deliciar da água que jorrava em forma de arco-íris. Tudo era colorido quando ele estava por perto. Ambos estavam cansados da longa manhã. Ele sorriu, conversou coisas à toa e ela só pensava em como dizer que o queria.
Então tão espontâneo como a sua vontade ela pediu que o acompanhasse. Ele sorriu como se não levasse aquela brincadeira a sério e mesmo assim foi. Entrou na sala dele devagar sabendo que era seguida, e ia com a firmeza decidida de uma mulher que sabe o que quer. Ainda que seu coração quisesse saltar pela boca e suas pernas tivessem perdido a potência. Tinha que se aconchegar naqueles braços. E foi assim que fez.
Ele a abraçou e sorriu levemente antes de beijá-la e ela se deixou abandonar por aquele gosto de querer que vinha dos dois. Os corpos se elucidaram ao contato um do outro e não restava mais nada além de um só desejo. Faíscas de puro prazer entornavam aquele abraço apertado, os lábios se moviam no ritmo intenso das mãos, ahh..
Finalmente ela conseguira o que sempre quis. Um momento intenso e solitário com aquela boca que era objeto dos sonhos mais reprimidos que povoavam aquele corpo pequenino e cheio de significância. Finalmente ela era desejada com a mesma intensidade e com certeza, seria amada da mesma forma. Aquilo era só uma questão de tempo agora. Ela pensava e seu sorriso débil se aflorava enquanto dizia a ele que fora uma honra para ela estar com ele naquele momento.
Virou-se, empinou seu redondo falo e foi embora para o movimento incessante da vida que não parara um instante sequer.

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12/01/2011

Um amor que mora longe

Aquele gosto de saudade conhecido na boca, nos olhos e nos sonhos de quem espera o amor chegar está dentro de mim. É um gosto de afeto misturado com desejo de ter. De abraçar e de morrer em um abraço. É a sensação de estar perdido em meio a multidão e saber que você não está só... mas está!
Um sonho é permeado de desejos, de anseios e repressões .. e isso nem é poético .. mas quando se sonha com o amor que está distante tudo vira poesia. Como diz o meu amigo Gleyson "o amor que não é trepado, gozado, vira poesia" .. saudades, ah saudades de quem mora longe.
Saudades de quem vai voltar, que volta com aquela vontade de estar, de não ter saído e de não ir mais. Mas um amor que mora longe sempre vai e sempre volta. Essa é a principal alegria de quem espera... e tem as lembranças que ficam na memória. Passagens de vida e de história de dois juntos e dos dois separados.. os risos, os abraços, os beijos e as dores... as que marcam, deixam cicatrizes e não te deixam indiferente a esse amor.
Jamais...
Ouvir música triste, ver filmes românticos com tragédia no final.. nada de finais tão felizes.. parecem com a vida e enfeitam as horas de quem espera o amor que está longe. Quanto tempo?! Quanto tempo esse amor vai demorar, não se sabe. Talvez uma semana, um mês.. quarenta e dois dias e metade de uma noite. Foi o tempo mais longo da história das esperas que meu coração suportou.
Hoje ele acostumou. Meu coração. Ele não me pergunta mais quando ele volta, não quer saber como vai ser o nosso futuro, apenas se contenta em ouvir a sua voz rouca no telefone antes de dormir. E ele nem diz que me ama. Meu amor. Mas ainda assim eu o chamo de amor. E espero um amor que mora longe... mas que sempre volta! Ele sempre volta!!

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23/11/2010

Defeitos

Os defeitos. Sinceramente, eu não sou focada em pontos negativos, beleza e muito menos em defeitos. Mas as pessoas são. Pessoas normais que me imploram silenciosamente por uma atitude também normal. Elas me dizem que os outros são ruins e os outros dizem que as pessoas não prestam e eu me confundo.

O meu defeito é esse, o de não querer enxergar os defeitos naqueles que amo. Principalmente se eu amo acima do meu próprio entendimento. Do meu defeito de não guardar rancor ou ressentimentos daqueles que me magoam.

De p
erdoá-los, mesmo que as lágrimas que cairam pelo meu rosto, tenham rasgado o meu coração. Ainda assim eu perdôo. Minha raiva é engraçada, me dizem. Mas eu não acho graça nenhuma.

As vezes, me sinto uma idiota. E acho que o amor é idiota, e só recebo amores idiotas. Amores que me magoam, me fazem chorar, me humilham, me desprezam, não querem me amar. E ainda assim eu os amo. Os quero, os tenho e não vejo os seus defeitos. Só amores idiotas...
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10/11/2010

Teddy-bear

Hoje acordei sem sentir.
Quando dei por mim meus olhos estavam abertos.
Mas não me recordo a visão.

O som do ventilador ainda vibrava em meus ouvidos,

só que essa noite ele não havia sido ligado.

Sentei, e esperei.

Esperei a sensação do desespero. Não veio.
Nem uma ânsia, nem um medo, nem dor.
Apenas não sentia.

Fiquei de pé. Mas meu cérebro continuava dormitando.
Tentei alcançar o interruptor,

mas tudo estava iluminado.

Já o havia apertado há tantos minutos.

Minhas roupas estavam no cabide a me esperar.
Lembrei que não sentia o toque do meu pijama.

Talvez também estivessem me esperando.

Resolvi sair do quarto.
Mas parei e observei.

...
Meu ursinho de dormir fora esquecido na fenda entre a minha cama e a parede.
Parecia gritar por socorro.
Mas eu não sentia.
Acho que também não ouvia.

Ou o meu ursinho não sabe falar.


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05/11/2010

Dias e mais dias!!

Os dias voam como meus pensamentos. Ontem achei que era hoje e hoje já penso que se foi. Eles navegam, cruzam mares e oceanos, flutuam nos rios dos sentimentos que atravessam o jardim da minha vida.
Os dias são vivos, adormecidos e pueris, mas vivos. Os meus não têm brilho, não tem ardor, ou dor ou amor, apenas uma sombra vaga daquilo que já fui e uma faísca de esperança daquilo que serei.
Os meus dias não tem você.

Um dia houve. Houve a alegria e a felicidade de ser amada. Houve um dia em que sofri por amor e não me arrependi.
Houve um dia em que me julguei sábia com as escolhas ruins que fiz, porque um dia o amor justificava os meus atos. Houve um dia que eu queria que você fosse meu, e hoje, mais um dia, desejo que esse desejo se acabe porque ele teima em permanecer aceso.


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Um dia, quem sabe eu não o realizo?!
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15/10/2010

Vontades

estou com vontade de ser tua. de um jeito banal e carinhoso. ouvir sua voz chamando o meu nome e correr descabelada até o portão. parar e respirar. abrir e sorrir.
estou com vontade de pular nos seus braços para um abraço sem graça. e perguntar de um jeito formal como você está. ficar parada à sua frente enquanto espero uma resposta e me reprimir silenciosamente por ser tão infantil.
estou com vontade de conversar coisas contigo. coisas tolas, coisas bobas, coisas à toa, coisas que te fazem rir e me deliciar com seu lindo sorriso.
estou com vontade de ser puxada de volta pros seus braços. e sonhar que sou amada.
estou com vontade de ter você por perto..

Volta logo!!!

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22/04/2010

Um dia


Um dia me reservei ao direito de viver. Respirei cada segundo do meu dia como se fosse o último, senti a minha alma se aquiescer com o toque do meu próprio amor e desejei ser amada por uma alma adormecida.

Um dia meu coração acordou indiferente, não queria sentir o sol e, ainda assim, se preocupou com as nuvens alaranjadas que se debandavam rumo ao horizonte. Preocupei-me em saber se elas conseguiriam chegar onde queriam.

Um dia minha mente estava vazia. Me senti rica naquele momento precioso... perder o vazio é mesmo empobrecer. Estava cheia de vontades e ânsias. Só não sabia do quê. O vazio não me permitiu decidir.

Um dia estava decidida a mudar. A ser eu mesma. Mas lembrei que não sou. Apenas faço sentido. E sorri, pela milésima vez, já que não me restava nada a fazer para mudar meu rélis destino.

Um dia eu precisei dançar. Meu peito apertava no compasso de Last Nigth. Meus pés se moviam devagar dentro do sapato alto. Minha cintura iniciava um vaivém de emoções. Tudo no ritmo envolvente da felicidade.

Um dia eu só queria ser feliz. Um dia... quem sabe!!!
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29/03/2010

Ontem

Ontem ele me ofereceu a mão e junto com ela um cuidado que eu não esperava. Eu chegara fadigada do longo dia que tivera e pela noite pouco dormida na qual ele também estivera envolvido. Com razão, ele tinha uma pequena culpa das minhas olheiras. Ainda assim eu não esperava.
Abraçou-me carinhosamente e me pôs junto ao seu peito, sem se importar com os outros que estavam ao nosso redor. Deixei-me levar pelo embalo de seus braços e senti seu perfume. Parecia que eu estava em casa. Era tão aconchegante que não tive vontade de sair de lá. Ele talvez tenha entendido que eu não estava realmente bem, apesar de que se ele conseguisse sentir os meus próprios sentimentos saberia que eu estava mais acalentada do que nunca.
Afastou o meu corpo do dele e olhou nos meus olhos. Resisti ao movimento e voltei a encostar nele. Sua voz quente começou a soar dentro de meus devaneios. Ele me perguntava como tinha sido o meu dia no trabalho, se eu havia passado raiva, muita, eu respondi, como foi minha aula.
Eu tinha inveja do nosso futuro...

(Texto iniciado em 26/02/10.. não concluído até hoje)


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24/03/2010

Sunrise


Era um sábado e era primavera. Saí do aconchego das cobertas e abri a janela. O sol começava a emergir das profundezas escuras e seu tom alaranjado intenso me deixaram com falta de ar. Gostei daquela sensação.

Vesti um casaco e saí pela porta da cozinha. O cheiro de café inundou minhas narinas, mas minha vontade de sentir aquele calor era mais forte. Andei pela vereda fina que levava ao cume do morro olhando fixamente aquela luz que parecia infinita.

Parei, respirei o ar penetrante e me acomodei na relva úmida. O sol com toda a sua intensidade parecia querer lavar minha alma. Queria me contar os segredos do universo e eu queria entender.

Naquele momento lembrei-me de Deus e do quanto Ele era grande. Meu coração doeu. Sentia saudades daqueles pensamentos. Lembrei dos meus tempos de inocência e do quanto a história do dilúvio me assustava. Acho que por isso não gosto de chuva.


Naquele momento, fiquei triste. A solidão que morava em mim era escura, fazia ninhos de melancolia e me davam ânsia de ser diferente. Mas, enquanto pensava no vazio que enriquecia minha alma, um raio de sol pousou na minha mão como uma carícia. Então eu pude perceber que Ele nunca me deixou sozinha. E que enquanto houver um nascer do sol, e enquanto eu tiver vida pra senti-lo, Deus estará comigo!


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25/02/2010

Esperando...

E a vida não é simples como ela acreditava. Um dia até chegou acreditar que seria pra sempre. Mas como dizem os legiões do passado, o pra sempre, sempre acaba. E foi o que aconteceu.


Entre idas e vindas, espinhos e tulipas, risos e coca-cola, acabou. Quase acabou com a alegria. Quase acabou com a inocência. E acabou com a ilusão. Solidão é o fim de quem ama, diz o poetinha. E Ana gritava em melodias que (quem sabe) um dia isso passe, sendo ela tão inconstante. Quem sabe o amor tenha chegado ao final.


Mas a vida continuava ao seu redor. E as pessoas continuavam sorrindo. E ela aguardava no portão olhando as estrelas no céu, que também sorriam. Ela não queria deixar a porta aberta e não queria olhar para trás, mas era inevitável não pensar na felicidade que tinha perdido. Então esperava.


A noite pesava em seu peito. Já eram dez e tal e nada. Os carros que passavam na rua lhe traziam um acender de esperança e o ronco do motor trazia a sensação de alívio. Mas nada. Ele mais uma vez não viria.



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23/12/2009

Paixões

Hoje, finalmente, tive vontade de escrever. Não que eu não tivesse assunto, ou palavras, muito menos que o vazio tivesse tomado conta de mim, mas eu quis guardar comigo todas as ilusões e paixões que acumulei neste último mês. De todas as pessoas que amo, apenas cinco delas sabem como eu tenho passado... Mas hoje, tive vontade de mostrar para o mundo (se o mundo visse o meu blog) que eu continuo viva.
“Você sempre está apaixonada. Quando pára de amar um, com certeza é porque está amando outro!” Disseram-me isto há uma semana e de repente meus olhos se abriram pra uma qualidade?! minha, sou uma apaixonada constante.
Paixão é a essência da minha vida. E cada uma é mais intensa que a outra. Nenhuma pior que a outra, apenas diferentes formas de paixão. E apenas uma forma de sentir. Borboletas tão loucas.
Enquanto escrevo sobre as minhas paixões, começo a pensar naquela que vem me envolvendo nos últimos dias. Ela é diferente, é realizável. É o achado das minhas buscas constantes. O amor que toma conta do meu ser é incrivelmente divertido e parece que a vida começa a ter mais graça com ele por perto, e os meus dias passam despercebidos e as noites em que não o vejo são lentidões escuras e vazias.
Tenho outra vez quinze anos, e não me envergonho de ter vinte. Sou apenas uma adolescente encantada pelo sorriso mais lindo do mundo e pelas piadas mais sem noção, e pela risada mais reflexiva que existe... sempre dá vontade de refletir sobre a verdadeira felicidade. Se ela existe... ele guarda um pedaço naquele sorriso.
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23/10/2009

Fases de cadeias

Presa em cadeias de vidro. Redoma de vidro brilhante e frágil. Doce espera de um amor. E ela logo se quebrou. Foi despedaçada com os pedaços do meu coração. Catei e tentei reconstruir. Mas minha redoma se tornou informe e absurdamente vazia.
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Presa em cadeias de diamante. Transparentes e inquebráveis, porém perfeitas. Acordo desesperada e já não sei respirar. Um pesadelo assombra minhas noites inocentes e a lua, imperdoável dama de prata, me sufoca com seu brilho. Sufoco, não consigo sair. Quero partir essas cadeias e quero partir pra longe. Quero poder ficar.
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Presa em uma cadeia vazia. Vazia de nada. Cheia de multidões. Sobressaltadas noites em desalento tentando achar um local seguro. Um local menos vazio, um local menos cheio. Minha mãe.
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Presa em cadeias de ferro, duras, incapazes de manejar. Sólido insípido. Doce como o ferrugem de suas marcas que se desgastaram em lágrimas.
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Presa em muralhas de solidão, me despeço do sol que ainda não foi embora. E o frio invade os meus calafrios e grito de horror. Por dentro, calada. Ouço seus passos no corredor úmido e espero. espero. e nada.

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08/10/2009

Despedida

Seus dedos estavam cruzados numa espécie de carma. Um hábito que lhe era comum sempre que ficava ansioso. Entrava em transe, e apertava a fronte contra o joelho como se isso aplacasse a dor que teimava em existir.

- Oi... – falei e já não sabia o que dizer.

Sua cabeça permaneceu abaixada, mas pude perceber que seus olhos se fechavam com mais força, pois suas têmporas enrijeceram. Suspirei. Sua cabeça continuou abaixada, mas agora suas têmporas estavam relaxando e ele olhava os meus tênis fixamente. Um alvo vazio.

- Oi. E também suspirou.

Agachei ao seu lado e me deixei levar pelo perfume que lhe era tão comum. Cheirava ao meu próprio prazer. Sorri com este pensamento e isto fez com que seus olhos se levantassem. Por um minuto apenas nos olhamos e o meu riso foi morrendo aos poucos, dando lugar a tristeza inevitável. Íamos nos separar em menos de uma hora. E nada poderíamos fazer contra.
Ele segurou forte na minha mão e nos levantamos. Nossos corações queriam se sentir. Em um ritmo doce e louco, um abraço foi o que restou, e ficamos ali apenas ouvindo. Queria poder dizer que ele se tornara a razão da minha alegria. Que de manhã era dele o meu primeiro pensamento e, ao cair à noite tudo o que eu queria era poder dormir para sonhar com ele. Mas continuei calada, enquanto o meu coração gritava.

- Adeus!

- Adeus... – ...


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10/09/2009

Elas

Grita Mayumi em meu peito mudo e desnudo. Vontade de voltar a ser. A ser. A ver. A ter. Sentir. Passando de segunda a terceira, como vós e nós. Nós que já não se desfazem com o tempo. Tempo, Aluap. E choro.


Eu já fui Aluap, e também já fui Mayumi. Ao mesmo tempo. Quando em meus tempos de infância, era permitido ser quem você queria ser. E o que eu queria ser era a rainha do meu quintal.

Desde sempre – acho – subia em árvores e me sentia parte daquilo. Eu era a natureza viva. Mas não a única viva. Mas a que tinha o poder da fala. As árvores e os animais, os anjos e essas duas mulheres que viviam em mim, ou que eram mim, falavam através dos meus pensamentos e eram traduzidos pela minha boca.

E é delas que sinto mais falta. Depois de tanto tempo, recordo. Mas penso que já é tarde.

Mayumi era uma imperiosa índia que adorava correr ao vento. Disputava recordes com os furacões, apesar de nunca se importar em saber quem vencia. Tinha um jeito gracioso de “falar”. E me contava coisas de terras distantes. De mares azuis e cachoeiras impetuosas. Mayumi era uma expressão de liberdade.

Aluap era dominadora, mas gentil. Uma mistura de raças, de cores, de lua. De sol e chuva. Uma amiga que me conhecia. A que mais conheceu. Era também uma sábia conselheira e me guiava pelo coração. Que me emprestava o colo quando eu estava triste e cantava canções de ninar para embalar minha solidão.

Aluap era um pedaço do que eu não tinha. Uma mãe. Era o amor em posse de um espírito sem vida. De um espírito errante que se apossara da minha existência. Era uma rainha. E seu trono era um trançado de galhos da antiga goiabeira. No mais alto galho. E era lá que eu ficava. Aluap reinava. Mayumi acalmava. E o tempo parava. O tempo, Aluap. O tempo Aluap. O tempo...



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01/08/2009

Considerações

Há tempos que eu não escrevo nada aqui, mas há algo que eu queria gritar pro mundo. Bom, este é o meu mundo. Então quero usar cada pedacinho deste blog pra dizer:
Não estou mais apaixonada por ele.

E ainda que eu queira dizer que esse meu grito vem acompanhado de um sorriso, não posso. Talvez uma expressão satisfeita. Mas não feliz.
Estar apaixonada é um estilo de vida pra mim. Me completa. Mas me machuca. E por tantas vezes (como boa evangélica que sou) tento assimilar o que diz na bíblia quanto ao amor “o amor não é sofredor”, continuo vivendo amores sofridos. E isto, definitivamente, não é bom.

Por isso digo que se não estou tão feliz por esta afirmação, também não consigo ficar triste. É uma questão de lógica. Menos um amor é igual a menos um sofrimento.
Mas o que dizer da solidão que agora adentra no meu coração e que faz a música não ter sentido. Sim. Me apaixono, também, pra ouvir música. É como se assim, eu sentisse verdadeiramente o que o piano me diz. Ele e eu temos afinidades. Coisas de outra vida.

Concluindo... Sem este amor, a minha vida perdeu um pouco do sentido. Um pedaço do meu coração sente sua falta. E continuo dizendo que dói saber que agora o vazio me acompanha pelas ruas, que os fones de ouvido apenas trarão frases sem vida e que o meu coração não irá palpitar quando eu ouvir a nossa música. Love de Keyshia Cole.

Por outro lado, um novo amor supre um amor perdido. Digo sempre. E cansei de amores platônicos. (In)felizmente, já não tenho mais quinze anos.
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18/07/2009

Sonho de uma noite de verão

Fazia calor. Pela décima vez, perdi a noção de tempo olhando para ele. Que continuava me ignorando. Passei na sua frente, toquei o seu braço e sorri. E ele apenas balançou a cabeça, passivamente, e tornou a virar o copo. Olhou para o outro lado, e eu passei a não mais existir.
Sai chateada. Ele estava chateado. Apesar de não ser dia para chateação.
Há alguns dias atrás... Simplesmente o vi. Já o conhecia, mas passei a conhecer além daquele garotinho que passava em frente a minha casa de bicicleta. Era mais que apenas o menino que havia crescido. Era um mistério.
Bastou apenas um sorriso para ter a certeza que era ele. Verão. Fogo. Calor. Desejo. Paixão. Palavras fortes que não conseguem decifrar a intensidade do que nos aconteceu. Abraço. Loucura. Beijo. Desespero. Distância. Tristeza. E ainda faltava algo. Que antecipo dizendo que ainda não encontrei. Porque era algo além de paixão e menos que um mero amor.
Passávamos o tempo que podíamos juntos. Gostava de vê-lo sério, pensativo, cada vez que falava do nosso futuro. Gostava de vê-lo agonizante quando pensava na distância. Gostava de vê-lo me olhar. E sorrindo a me ver sorrir. E me abraçando forte, por nenhum motivo. Ou por todos eles. E era recíproco.
Havia um algo entre nós que era indefinível e que ele chamava de imã. E eu apenas ria por mais aquela infantilidade. Ele era tão infantil quanto encantador. E me deixava encantar por aquele riso fácil e o olhar penetrante, que me diziam coisas que eu nem sei explicar. Mas que me fazia bem em ouvir.
No calor daquela cidade, nos apaixonamos. E foi no calor que nos desentendemos. Agora, olho pro céu e respiro. Olho pra água e suspiro. Cumprimento um velho conhecido que ri e dou uma risada. E me calo para escutar o meu próprio lamento ecoando na areia.
Caminho em meio às barracas e vi que ele estava vindo ao meu encontro. O coração acelera. Seus olhos me fitam com desejo. Ofegante, toca no meu ombro. Segura a minha mão. Toca os lábios nos meus e digo que não é dia para brigar. Não no último dia. Ele concorda, mas diz que continua chateado. Também estou chateada. E o tempo que nos resta é desperdiçado com brigas sem sentido.
No final, um aperto de mão, um beijo no rosto e um adeus encerram o nosso espetáculo.


Bem Shakespeariano.
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20/06/2009

Passado distante


Ás vezes construimos um sentimento que nem se pode nomear, mas se pode sentir de tal maneira que no fim vira um decifra-me ou te devoro! que consome todas as nossas ilusões e sorrisos.
Sempre me senti uma espécie rara nesse mundo tão padrão, porque nunca caí nas garras das atrações e paixões fulminantes. Nunca, em momento algum, me dei ao luxo de acreditar nas palavras de um homem, se elas eram dirigidas a minha pessoa, e muito menos me deixei levar por cantadas baratas ou mesmo as românticas.
O motivo da minha frustração?.. Amei aos cartoze anos, foi o primeiro, o puro (beijei ele umas pocas vezes) e o não correspondido...
Depois disso, deixei de me apaixonar, e passei a controlar o meu coração (outra coisa especial em mim), trancando indeterminadamente pra balanço.. foram três anos de dor, desilusão e amparo nas farras do mundo.. beijando apenas quem eu queria beijar, e curtindo só pra curtir!
Mas isso faz parte de um passado muito distante...
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" Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado"
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Amei outra vez aos dezessete.. pra quê?!
No ínicio foi só uma brincadeira, coisa de menina querendo passar o tempo..
Mas foi ficando mais forte a medida que eu sentia falta dele, de não vê-lo sorrindo pra mim, e mais ainda de não ter a atenção que eu almejava muito... Mas, o maior problema, foi que ele acabou se encantando por mim (porquê homens são tão bobos??) e acho que a afeição que eu sentia acabou se misturando com a vontade de fazê-lo feliz...
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PAUSA
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Segundo o dicionário, "Amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem do outro".
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CONTINUA
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Pronto.. comecei a amar ele
Só que pra amar você deve sofrer... Acabou não dando certo... Acabou antes de começar.
Este amor foi o segundo, o puro (nunca nos tocamos) e repleto de contradições...
Mas esse é um passado distante!
Hoje...
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05/06/2009

Reflexos

Às vezes me olho no espelho e tenho a sensação de estar olhando pra outra pessoa. Sim. Esta não sou eu! Este rosto triste que eu vejo não é meu. Mas quando fecho os olhos eu me encontro.


Ela é bonita. Ainda que tenha algumas cicatrizes, umas feridas que foram abertas recentemente, e muitas manchas. Mas são apenas marcas de quem viveu intensamente. Essa garota que vejo é especial. Tem um sorriso especial pronto a oferecer a quem lhe faz bem.

Essa menina bonita gosta de ser. Não apenas de fazer sentido. Ela é. Essa menina que chora quando a ignoram. E ri quando está sozinha, porque sabe que a solidão é amiga. Essa menina sabe que o escuro guarda medos, mas está sempre pronta para enfrentá-los com a alegria de quem vai encontrar o pôr-do-sol pela manhã.

Ela é forte e corajosa como um potro selvagem. Mas vem comer na mão daquele que lhe oferece um carinho. É como um anjo que caiu e não tem sossego. Quer seu par de asas de volta para poder voar e ser livre. Essa menina é mais que uma simples vontade. É o anseio de vida que jorra em meu coração.
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Um dia, ela me contou que conhece os segredos mais profundos da minha alma. Conhece minhas vontades e minhas verdades. Ela conhece o que sou. E se conhece. E tem um laço de fita na cabeça e diz que é para não esquecer que é amada. Tola. Nisso ela é tola. E sabendo que é tola (já que se conhece), diz que o amor não vem de fora. O amor está além dela.E ela sempre está certa.


Sim, ela tem defeitos. Ela é impulsiva. Fala o que não deve. Fala demais, mas tem muita coisa a dizer. Fala tanto que às vezes é incompreendida. Chora alto e soluça entre as frestas da barreira que nos separa. Mas eu sempre a consolo e digo que tudo vai ficar bem. Gosto de chamá-la de meu amor, nesses momentos. Ela apenas ri, como se a vida fosse tão fácil.


Deus a conhece. Ele Mesmo a criou e quis ser amigo dela. Tem sentimentos de paz ao seu respeito e a presenteia com o melhor. Deus a compreende como nenhum outro, até mesmo eu. E Ele é o único que tem acesso ao centro do seu coração.


Essa garota, que nunca vai crescer, sou eu. Mas não é o eu que vejo em meu reflexo. Ela só pode ser conhecida por aqueles que pararam um dia e resolveram olhar pra mim. Não para o meu rosto. Não para o meu corpo. Mas para o meu espírito. Um dia, se sentir vontade de conhecê-la, olhe nos meus olhos e sinta o meu sorriso. E lá estará ela, a bela menina de laçarote na cabeça e sorriso encantador, com o coração batendo apressado, e feliz com a possibilidade de amar e ser amada.





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02/06/2009

Bicicleta


Andava de bicicleta como se fosse a primeira vez. Cambaleava e pensava. Pensava pela milésima vez. Lembrou do dia que conheceu o garoto da mente bonita. Não sabe de onde ele veio, quem ele poderia ser, mas o ouviu falar. E se apaixonou. Virou a esquina.
Paixão... ela ainda não sabia o que era isto. Mas sabia que gostava de ouvi-lo falar. Gostava da mente dele. Das piadas sem noção e do riso alegre.
Ela gostava... mas não sabia o que era paixão. O sinal fechou. Parou. Sorriu. Lembrou de suas palavras bonitas e quis aprender a falar bonito. Queria impressioná-lo. Queria conquistar a sua confiança. Ansiava ter o seu coração... mas não sabia.
Só sabia que gostava de ter sua atenção. Gostava do seu toque. O sinal abriu. Continuou a andar. Cambaleou com a lembrança. Toque. Gostava mesmo do seu toque. Se sentia segura quando ele a abraçava. Chegou onde queria.
Se era paixão, ela não sabia. Mas gostava de chamá-lo de amor quando estava só.




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