Não queria acordar, mas de repente acordei assustada. Olhei a hora... Ainda tinha tempo pra sonhar mais. Voltei a dormir e o sonho continuou no ponto onde tinha parado. Eu e ele estávamos passeando no jardim.
Mesmo sonho, mesma alegria, mesmo desejo... E uma intrusa! Ainda não descobri quem foi o traidor que lhe entregou as chaves do meu castelo. Mas lá estava ela, passeando por entre as rosas cor-de-rosa... Minhas preferidas... Leve, envolvente, menina-mulher. Chamou a atenção dele, e ele homem-bobo sorriu. Com seu jeito infantil e venenoso, ela começou a dançar, dançava e ria. Ria um sorriso meio débil e sarcástico. Ria para ele, débil. Ria para mim, sarcástica. E ele ria. Bobo.
Naquele meio tempo, já não queria mais sonhar, queria destruir o meu mundo e fundar um novo onde não teria mais portas e nem traidores. Mas não conseguia. Continuei observando sua dança maquiavélica.
Ele soltou minha mão e começou a bater palmas enquanto continuava mirando e engolindo cada passo que a menina-mulher dava. Era vermelho, o lenço que ela rodava, e de repente era só uma fita de laço.
Enquanto ela dançava, fui ficando pequena e desbotada de tanta solidão.
E ela cada vez mais brilhante, jovem e florida, com minhas rosas que não são vermelhas, paixão. Apenas sedução. Coisa de lolita. Passou próximo a nós e o envolveu com um perfume embriagador... Incógnito. Ele parou e olhou para mim com um olhar de pena. Escarro de amor. E com passos firmes, foi atrás dela. Por que homens são tão bobos?
Agora ela era uma mulher. E eu tive a impressão de que ela saberia me responder. Mas quando virou para mim, meu mundo caiu.
Até agora eu não obtive resposta.
Mas acordei com lágrimas no rosto.
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