11/05/2009

Sonho

Ontem tive um sonho. Ou muitos. Lá no meu reino dos sonhos, posso sonhar um minuto como se fosse um ano e ter um sonho e achar que morri. Sonhei, sonhei e sonhei. Acho que sonhei a noite inteira.
Não queria acordar, mas de repente acordei assustada. Olhei a hora... Ainda tinha tempo pra sonhar mais. Voltei a dormir e o sonho continuou no ponto onde tinha parado. Eu e ele estávamos passeando no jardim.
Mesmo sonho, mesma alegria, mesmo desejo... E uma intrusa! Ainda não descobri quem foi o traidor que lhe entregou as chaves do meu castelo. Mas lá estava ela, passeando por entre as rosas cor-de-rosa... Minhas preferidas... Leve, envolvente, menina-mulher. Chamou a atenção dele, e ele homem-bobo sorriu. Com seu jeito infantil e venenoso, ela começou a dançar, dançava e ria. Ria um sorriso meio débil e sarcástico. Ria para ele, débil. Ria para mim, sarcástica. E ele ria. Bobo.
Naquele meio tempo, já não queria mais sonhar, queria destruir o meu mundo e fundar um novo onde não teria mais portas e nem traidores. Mas não conseguia. Continuei observando sua dança maquiavélica.
Ele soltou minha mão e começou a bater palmas enquanto continuava mirando e engolindo cada passo que a menina-mulher dava. Era vermelho, o lenço que ela rodava, e de repente era só uma fita de laço.
Enquanto ela dançava, fui ficando pequena e desbotada de tanta solidão.
E ela cada vez mais brilhante, jovem e florida, com minhas rosas que não são vermelhas, paixão. Apenas sedução. Coisa de lolita. Passou próximo a nós e o envolveu com um perfume embriagador... Incógnito. Ele parou e olhou para mim com um olhar de pena. Escarro de amor. E com passos firmes, foi atrás dela. Por que homens são tão bobos?
Agora ela era uma mulher. E eu tive a impressão de que ela saberia me responder. Mas quando virou para mim, meu mundo caiu.
Até agora eu não obtive resposta.
Mas acordei com lágrimas no rosto.


§

29/04/2009

Perder

Fico aos berros tentando desabafar, mas tapam a minha boca, como se as minhas palavras fossem loucas. As muitas perguntas que afundam de respostas, não conseguem afastar as minhas dúvidas.
E eu me afogo nelas e não consigo me salvar, porque não me acho.
Deixo que minhas palavras aguardem o tempo exato pra falar, mas são coisas minhas que talvez você nem queira saber. Só sei que já não escrevo mais cartas de amor.
Eu não queria te perder agora, porque perder é como não ter bússola, porque preciso daquilo que é meu para achar o meu lugar.
Se um dia você se sentir só e lembrar que eu te admirei (amei), e vier a minha procura, não vai me encontrar. Neste dia eu terei cansado de esperar e já estarei voltando pra casa. E lá eu andarei só, e trocarei passos com a solidão.
Se o amor sentir frio. Fecharei o meu
casaco.


§

23/04/2009

Sem Fôlego

Quando a tua mão segurou a minha...
Respiração presa... Taquicardia.
Parei no tempo, não sabia o que pensar
Porque pensei que fosse me beijar
Me puxou como se fosse me levar
Mas apenas me olhou como se fosse me amar
Sorriu como se fosse me conhecer
E o tempo que parecia parar
Foi rápido como um relâmpago.
Sorriso bobo, gosto de querer,
Borboletas no estômago.
Nossas vozes foram ficando roucas.
Porque quando você me toca
Vejo borboletas tão loucas?
E choro quando anjos merecem morrer!
§

15/04/2009

Passividade

Amar e ser correspondido corresponde à razão da existência do ser humano.
Por isso, amo você!
Acha pouco?! Você me ama e eu te amo, o que mais você quer?
Te dou meu sorriso, te dou um pedaço do meu tempo, te dou um afago...
Te dou o que sempre pede... Bom, nem sempre!

Porque seus desejos são demasiados humanos.
Não gosto de desejos carnais.


Estou presa no passado, no passado distante, no Teddy-Bear e nas amizades que não sobreviveram.


§

24/03/2009

VAZIA

Não sei o que escrever, e pela décima vez abri o blog pra começar um novo post, mas não há nada aqui dentro. Confesso que normalmente falo de experiências próprias e talvez seja este o motivo do meu vazio. Eu não tenho feito nada fora da minha rotina, apenas trabalho e estudo... aff!
Se bem que dormir só cinco horas e meia por noite é uma experiência e tanto. Estou tendo ataques de ansiedade porque agora o meu dia começa cedo, termina tarde e parece que não é o bastante, vai entender!
Também estou ficando cada dia mais estressada e as mudanças de humor repentino cada vez mais freqüentes. Tanto que, decido, inconscientemente, qual o humor irá me dominar no primeiro passo que dou ao entrar em um ambiente. Até já pensei se não é o caso de observar se o pé direito ou o esquerdo está influenciando, mas não sou supersticiosa.
E eu confesso e me arrependo, mas é ridículo estar melancólica e de repente começar a rir compulsivamente, porque fico parecendo anormal. Eu sei que não sou muito convencional, mas ainda me considero normal, só não sei se outros têm a mesma opinião.
Ah, e como se não bastasse, ainda agüento o peso na consciência de não ter tempo pra mim mesma. Porque quem disse que trabalho, faculdade, amigos e igreja são tudo na vida de uma pessoa?! Preciso urgentemente de ficar um dia inteiro no meu orkut, ver o BBB em tempo real, preciso arrumar as unhas, descolorir e assistir o Curioso Caso de Benjamim Button.

Mas prometo que em julho eu terei muitas novidades.. por enquanto continuo assim ... VAZIA!
BjuMeLiga
§

17/03/2009

Psyché

Psicologia... Psico... psyché
Mente? Não, alma! Mente? Não, diz a verdade
Realidade, mostra, escancara, a alma e a mente,
mas não mente, apenas sente e move montes...
mas não é a fé?! É!
A alma, mente, mas não mente e tem fé.
"A fé que não vem de Deus, não é a busca pelo impossível,
é a perseverença no imprevisível"

Divagações com Polly
§

03/03/2009

INDECENTE DE BÃO

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador... Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa.
Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando...ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar...ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular: ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente... Era o verbo auxiliar do edifício ! Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente ! Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”


Fernanda... aluna de Letras da UFP
(chega a ser indecente de tão boa)
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